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Em que a alma deve empenhar-se para alcançar a salvação

Para glória do Senhor Jesus!


"Para a salvação da alma, antes de tudo é necessária a verdadeira fé. Diz a Sagrada Escritura: "Sem a fé, é impossível agradar a Deus" (Hb 11,6). Aquele que não tem fé será julgado. Mas, nas mesmas Escrituras, é-nos dado saber que o homem não pode, por si mesmo, gerar em si a fé, por menor que seja; que a fé não vem de nós, visto ser um dom de Deus; que a fé é um dom espiritual. É-nos concedida pelo Espírito Santo. Já que assim acontece, que devemos fazer? Como conciliar a necessidade da fé do homem, com a impossibilidade de provocá-la humanamente? Tal meio nos é revelado nas próprias Escrituras: "Pedi e recebereis". Os apóstolos não podiam, por méritos próprios, despertar em seu interior a perfeição da fé, mas pediram-na a Nosso Senhor: "Senhor, aumentai a nossa fé". Eis como a obtemos; este exemplo mostra que a adquirimos pela oração.

Para a salvação da alma, ao lado da verdadeira fé, é preciso também as boas obras, porque "a fé, sem obras, é morta". O homem será julgado pelas suas obras e não somente pela sua fé. "Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos: não mates, não cometas adultério; não furtes; não pronuncies falsos testemunhos; honra teu pai e tua mãe; ama teu próximo como a ti mesmo". E é preciso guardar todos os mandamentos ao mesmo tempo "porque, se alguém obedece a toda a Lei mas desobedece a um deles, torna-se culpado da transgressão da Lei inteira" (Tg 2,10). É o que ensina o apóstolo Tiago. E o apóstolo Paulo, descrevendo a fraqueza humana, diz (Rm 3,20): "Ninguém será justificado pelas obras da Lei. Sabemos que a Lei é espiritual, mas sou carnal, vendido como escravo ao pecado... Não consigo entender o que faço, pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto... Eu me comprazo na Lei de Deus, que sirvo pela razão, mas, pela carne, sigo a lei do pecado" (Rm 7). Como cumprir as obras prescritas pela Lei de Deus, quando o homem se sente sem forças e sem nenhuma possibilidade de cumprir os mandamentos? Não terá condições de fazê-lo, até que se decida a pedi-la, até que reze para obtê-la. "Não tendes, porque não pedis" (Tg 4,2); é essa a explicação que o apóstolo dá. E o próprio Jesus Cristo diz: "Sem mim, nada podeis fazer". E, quanto ao modo de agir com ele, eis seu ensinamento: "Permanecei em mim, como eu permaneço em vós; aquele que permanece em Deus e Deus nele, esse produzirá frutos em abundância". Permanecer nele significa sentir continuamente a sua presença, invocar incessantemente o seu nome. "Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu vo-lo concederei". Portanto, a possibilidade de praticar o bem é propiciada pela própria oração. Encontramos um eficaz exemplo através do próprio são Paulo: três vezes pediu para vencer a tentação, dobrando o joelho diante de Deus Pai, para que ele lhe desse forças no seu homem interior, e foi-lhe, então, ordenado que, acima de tudo, orasse, e orasse continuamente, a cada momento.

De tudo quanto foi dito, conclui-se que a salvação do homem depende da oração, e, por isso, ela é primordial e necessária, pois, através dela a fé é vivificada e as boas obras se realizam. Numa palavra, com a oração tudo se processa com êxito; sem a oração, não podemos praticar ato algum de piedade cristã. Desse modo, a exigência de que nossa vida seja incessantemente oferta, depende exclusivamente da oração. As outras virtudes têm seu tempo próprio, mas, no caso da oração, pedem-nos uma atitude ininterrupta: "Orai sem cessar". É justo e oportuno que rezemos sempre, por toda parte.

A verdadeira oração apresenta suas condições. Deve ser oferecida com espírito e coração puros, zelo ardente, rigorosa atenção, com temor e respeito, com a mais profunda humildade. Mas quem, conscientemente, deixará de reconhecer estar longe de cumprir essas condições? quem não reconhecerá que oferece sua oração mais por necessidade do que por um domínio sobre si mesmo, do que por uma inclinação, preferência e amor à oração? Também a esse respeito a Sagrada Escritura nos diz não estar no poder do homem conservar seu espírito inabalável, purificá-lo dos maus pensamentos, porque "os pensamentos do homem são maus desde a sua juventude" e que só Deus nos pode dar outro coração e um espírito novo, "porque meu espírito (quer dizer, minha voz) está em oração, mas minha inteligência nenhum fruto colhe" (1 Cor 14,14). "Não sabemos o que pedir como convém" (Rm 8,26), afirma ainda o apóstolo. Conclui-se que somos incapazes, por nós mesmos, de oferecer a verdadeira oração. Não podemos, em nossas preces, manifestar as propriedades essenciais da verdadeira oração.

Se é essa a incapacidade de todo ser humano, que sobra à vontade e à força do homem para a salvação da alma? O homem não pode adquirir a fé sem oração; essa asserção aplica-se, igualmente, às boas obras. Mas a autêntica oração não está em seu poder. Que lhe resta, então, fazer? que parte lhe cabe para exercer sua liberdade e sua força, para que não venha a perecer, mas ser salvo?

Cada ato tem seu valor, e Deus reservou para si a liberdade de concedê-lo ou não. Para que a dependência do homem em relação a Deus, ao querer divino, se manifeste mais profundamente na humildade, Deus confiou à vontade e à força do homem o número de orações. Mandou rezar sem cessar, sempre, a cada momento e em toda parte. É aí que se encontra revelado o método secreto da verdadeira oração, e, ao mesmo tempo, da fé e do cumprimento dos mandamentos de Deus. É, portanto, o número de orações que é assinalado ao homem; a freqüência da oração pertence a ele e encontra-se sob a oscilação de sua vontade. Esse é o ensinamento dos Padres da Igreja. São Macário, o anacoreta, diz que, na realidade, rezar é dom da graça. São Hesíquio afirma que a oração freqüente torna-se um hábito, depois uma segunda natureza, e que, sem invocar com freqüência o nome de Jesus Cristo, é impossível purificar o coração. Calisto e Inácio aconselham a invocação assídua e contínua do nome de Jesus, antes de todas as asceses e obras, pois, tal insistência leva a oração imperfeita à oração perfeita. O bem-aventurado Diádoco insiste em dizer que, se um homem invoca o nome de Deus tão freqüentemente quanto possível, não cairá em pecado.

Quanta sabedoria e experiência desses dizeres e como essas instruções práticas repercutem no coração! Pela sua experiência e simplicidade, lançam luzes sobre os meios de levar a alma à perfeição. E que contraste com as instruções morais da razão teórica! Assim fala a razão: fazei estas ou aquelas boas ações; armai-vos de coragem, empregai a força de vossa vontade, convencei-vos dos benéficos frutos da virtude; purificai vosso espírito e vosso coração das ilusões do mundo, substituí-as por meditações instrutivas, fazei o bem, e sereis respeitado e encontra-reis a paz; vivei segundo a razão e a consciência. Infelizmente, porém, a despeito de toda a sua força, esse raciocínio não atingirá seu fito, sem a oração freqüente, sem invocar a ajuda de Deus.

Analisemos, agora, alguns outros ensinamentos dos Padres, e veremos o que dizem, por exemplo, a respeito da purificação da alma. São João Clímaco escreve: "Quando o espírito se turva com pensamentos impuros, ponde o inimigo em fuga por meio da repetição freqüente do nome de Jesus. Não encontrareis no céu ou na terra arma tão poderosa e mais eficaz do que essa". São Gregório, o Sinaita, ensina-nos: "Lembrai-vos disso: ninguém pode, por si mesmo, dominar seu espírito. Assim sendo, quando surgem maus pensamentos, invocai o nome de Jesus muitas vezes, com intervalos freqüentes, e os pensamentos se apaziguarão!" Que método simples e fácil! Entretanto, é comprovado pela experiência. Que contraste com os conselhos da razão teórica que se esforça com presunção por atingir a pureza através de esforços pessoais.

Uma vez assinaladas essas instruções fundadas na experiência dos santos Padres, chegamos a uma sólida conclusão: o principal, o único e muito simples método para atingir a salvação e a perfeição espiritual é a freqüência e o caráter ininterrupto da oração, por fraca que seja. Alma cristã, se não encontras em ti mesma o poder de adorar a Deus em espírito e verdade, se teu coração não saboreia a cálida e doce satisfação da prece interior, apresenta, então, ao sacrifício da oração aquilo que podes, o que depende de tua vontade, o que está dentro dos limites da tua capacidade. Familiariza, antes de tudo, o humilde instrumento que são teus lábios com a invocação contínua e persistente da oração. Que eles invoquem o nome de Jesus muitas vezes e sem interrupção. Não se trata de um esforço excessivo e está ao alcance de qualquer pessoa. E é também o que prescreve o santo apóstolo Paulo: "Por meio deles, ofereçamos continuamente um sacrifício de louvor a Deus, isto é, o fruto de nossos lábios que confessam o seu nome" (Hb 13,15).

É indubitável que a freqüência da oração forma um hábito e torna-se uma segunda natureza. Ela conduz o espírito e o coração a um estado favorável. Suponhamos que uma pessoa cumpra sempre essa única ordem de Deus a respeito da oração contínua. Através dessa atitude, ela terá observado todos os mandamentos; com efeito, se, sem interrupção, em todo tempo, em toda circunstância, essa pessoa oferece a Oração, invocando o santíssimo nome de Jesus (mesmo que o faça, no início, sem qualquer dor espiritual ou fervor, até mesmo com esforço), não disporá de tempo para pensamentos vãos, para julgar seu próximo, para desperdiçar seu tempo no prazer dos sentidos. Qualquer mau pensamento nele encontra um obstáculo a seu desenvolvimento. Qualquer ato pecaminoso que viesse tentá-lo não o perturbaria, por estar unido a Deus. O excesso de palavras e as palavras inúteis seriam rejeitadas, e qualquer falta imediatamente apagada da alma, pelo poder misericordioso de uma invocação freqüente do nome divino. A prática da oração contínua muitas vezes o impediria de cometer um ato pecaminoso, e lembra-lo-ia de sua vocação original: a união com Deus.

Compreendeis agora a importância e a necessidade do número de orações? A oração constante é o único método para chegar à oração pura e verdadeira. É sua melhor e mais eficaz reparação e o meio mais seguro de atingir o fito da oração e da salvação.

Para convencer-vos definitivamente da necessidade e fecundidade da oração freqüente, anotai:



  • Todo desejo e todo pensamento de oração é obra do Espírito Santo e a voz de vosso Anjo da guarda.

  • O nome de Jesus Cristo invocado na oração contém em si mesmo um poder salvífico que existe e age por si próprio; assim, pois, não vos perturbeis com a aridez de vossa oração, e esperai, com paciência, o fruto da invocação freqüente do nome divino. Não ouçais as insinuações daqueles que, inexperientes e insensatos, alegam que a invocação tíbia é uma repetição inútil, até mesmo monótona. Não: o poder do nome divino e sua invocação freqüente produzirão frutos a seu tempo.

Um autor espiritual discorreu, admiravelmente, sobre este ponto: "Sei, disse ele, que, para muitos, tidos como espirituais e sábios filósofos, pessoas que buscam por toda parte a falsa importância e as práticas sedutoras para a razão e para o orgulho, a simples prática vocal mais freqüente de uma oração parece ter pouca significação, ser mera ocupação, até mesmo uma espécie de brincadeira, Esses infelizes iludem-se, porém, e esquecem-se do ensinamento de Jesus Cristo: '"Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus" (Mt 18,3). Eles elaboram para si próprios uma espécie de ciência da oração, sobre bases instáveis da razão natural. Teremos nós necessidade de alta erudição, de grande saber e de muito meditar para dizer, com fervor: "Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim"? Nosso próprio divino Mestre não louva essa oração freqüente? Já não conhecemos magníficas respostas obtidas e grandes obras realizadas através dessa breve mas freqüente oração? Alma cristã, fortalece a tua coragem, e não cales a incessante invocação de tua oração, mesmo que teu grito venha de um coração em luta consigo mesmo e ainda muito impregnado do espírito este mundo. Não importa! persevera, não te deixes vencer pela omissão e não te perturbes. Tua oração se purificará por si mesma, através da repetição. Nunca te esqueças do seguinte: "Aquele que está em vós é maior do que aquele que está no mundo" (1 Jo 4,4). "Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas", diz ainda o mesmo apóstolo.

Após essas afirmações convincentes de que a oração, tão poderosa para a fraqueza humana, é certamente acessível ao homem e depende de sua própria vontade, decide-te, tenta, mesmo que no inicio seja apenas por um dia. Vigia-te e torna a freqüência da oração tão valorizada que um tempo muito maior seja ocupado, durante as vinte e quatro horas, na invocação do nome de Jesus, do que em outras atividades. E esse triunfo da oração sobre as preocupações mundanas mostrar-te-á, no tempo devido, que este dia não foi perdido, mas válido para a salvação; mostrar-te-á que a oração freqüente, na escala do julgamento divino, contrabalança tua fraqueza, tuas más ações e apaga os pecados deste dia da memória de tua consciência; coloca teus pés nos degraus da virtude e concede-te a esperança de tua santificação."

Fonte: do livro Relatos de um peregrino russo.
Gratidão
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Meri Pellens
Cristã, mãe e blogueira com necessidades físicas especiais. Busco viver cada dia como único, valorizando todos os momentos com olhos fitos no Senhor. Amo trabalhar com blogs e artes digitais.


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