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15 de jul de 2015

Como orar sem cessar ante as obrigações cotidianas?

Para glória do Senhor Jesus!


"O professor: [...] Concordo que a oração freqüente e incessante seja um meio poderoso e único de obter o auxílio da graça divina em todos os atos de santificação e que se enquadra dentro das possibilidades humanas. É, porém, um método praticável somente por aquele que pode dispor de solidão e tranqüilidade. Afastando-se dos negócios, das preocupações e das distrações, poderá rezar com freqüência e até mesmo continuamente. Tem de vencer apenas sua indolência ou o obstáculo de seus próprios pensamentos. Mas, se estiver preso a deveres pessoais e a diferentes negócios, se for obrigado a viver em ambiente movimentado e ruidoso, não conseguirá realizar o desejo de orar sempre, por causa das distrações inevitáveis. Por conseguinte, este método da oração contínua, visto depender de circunstâncias favoráveis, não pode ser utilizado por todos, nem cabe a todos.

O monge: Tal conclusão é absolutamente falsa. O coração que foi instruído a respeito da oração interior pode sempre invocar o nome de Deus sem ser impedido por ocupação física ou mental, e apesar de qualquer ruído (aqueles que afirmam isso, sabem-no por experiência, e os que não sabem devem aprendê-lo por um exercício progressivo). Com toda convicção e mais simplesmente, podemos dizer que nenhuma solicitação exterior pode interromper a oração naquele que deseja orar, porque o pensamento secreto do homem não depende das condições exteriores e mantém-se inteiramente livre. A qualquer momento podemos despertá-lo e dirigi-lo para a oração. A própria língua pode, em segredo, e sem emitir um som, efetuar a oração em presença de muitas pessoas e durante toda espécie de ocupação. Aliás, nossas atividades não são tão importantes, nem nossas conversas tão interessantes que tornem impossível encontrar um meio, por um momento que seja, de invocar o nome de Jesus, mesmo que a mente não esteja ainda familiarizada com a oração contínua. Embora a solidão e o afastamento de uma vida dispersiva constituam condição favorável à oração atenta e contínua, deveríamos envergonhar-nos da escassez de nossa oração, porque o número e a freqüência estão à disposição de qualquer um, por mais fraco e ocupado que seja. Encontramos exemplos comprovadores de oração entre homens que, assoberbados de obrigações, compromissos absorventes, preocupações e trabalhos, não somente sempre invocaram o divino nome de Jesus, mas até conseguiram, por este meio, chegar à oração interior e incessante do coração. Cito, como exemplo, o Patriarca Fócio, que foi elevado da categoria dos senadores à dignidade patriarcal e que, enquanto governava o vasto patriarcado de Constantinopla, perseverou na invocação do nome de Deus, e conseguiu a oração ininterrupta do coração. Ou Calisto que, no Monte Athos, descobriu a oração contínua, sem interromper sua atividade de cozinheiro. Ou Lázaro, de coração simples, que, encarregado de um trabalho incessante para a comunidade, repetia sem interrupção, no meio de suas ruidosas ocupações, a Oração de Jesus e permanecia em paz. Assim como esses, muitos outros praticaram a invocação contínua do nome de Deus.

Se fosse realmente impossível rezar durante ocupações absorventes ou na companhia de outras pessoas, não teríamos, evidentemente, recebido tal ordem. São João Crisóstomo, em seus estudos sobre a oração, assim se exprime: ninguém deveria dizer que uma pessoa preocupada com os assuntos do mundo e impossibilitada de ir à igreja não possa rezar sempre. Em qualquer lugar onde vos encontrardes, podeis erguer um altar a Deus, pelo pensamento. Desse modo, é oportuno rezar no meio de vossos negócios, em viagem, em pé a um balcão ou sentado diante de um trabalho manual. Por toda parte e em todos os lugares é possível rezar e, se realmente uma pessoa concentra sua atenção em si mesma, encontrará por toda parte circunstâncias favoráveis à oração, se estiver convencida, por pouco que seja, que a oração deve constituir sua ocupação essencial e passar à frente de qualquer outro dever. E, nesse caso, organizará seus afazeres com uma determinação maior; nas conversas necessárias com os outros, procurará ser breve, tender ao silêncio e a desprezar as palavras inúteis. Não se perturbará em demasia com as coisas desagradáveis. E, por todos esses meios, encontrará os caminhos da oração e da paz. Numa vida assim organizada, todas as ações, pelo poder da invocação do nome de Deus, serão marcadas pelo sucesso, e conduzirão, finalmente, à invocação ininterrupta do nome de Jesus. Ficará sabendo, por experiência, que a freqüência da oração — meio único de salvar-se — está ao dispor da vontade do homem, que é possível rezar em todos os momentos, em todas as circunstâncias e em todos os lugares, e facilmente conseguirá elevar-se da oração vocal freqüente à oração mental e dessa à oração do coração que abre em nós o Reino de Deus.

O professor: Admito e aceito que durante as ocupações materiais seja possível, até mesmo fácil, rezar freqüentemente, rezar continuamente, porque o trabalho do corpo não exige aplicação mental profunda, nem muita reflexão. Assim sendo, enquanto a mente o executa, pode mergulhar na oração contínua e os lábios a acompanham. Mas, se devo entreter-me com algo puramente intelectual, uma leitura atenta, por exemplo, uma reflexão sobre algum problema grave, ou uma composição literária, como poderei nesse caso rezar com o espírito e os lábios? E já que a oração é antes de tudo uma ação mental, como poderei, ao mesmo tempo, concentrar-me, com um único e só espírito, em duas tarefas tão diferentes?

O monge: A solução de vosso problema não constitui dificuldade alguma se consideramos que as pessoas que rezam continuamente dividem-se em três categorias: em primeiro lugar, os principiantes; em segundo lugar, os já iniciados; em terceiro lugar, os muito habilitados. Os principiantes conseguem, de tempos em tempos, elevar o pensamento e o coração a Deus e repetir curtas orações com os lábios, mesmo durante um trabalho mental. Os que já fizeram progresso e atingiram certa estabilidade mental podem exercitar-se em meditar ou escrever na presença ininterrupta de Deus. Eis uma imagem que vos esclarecerá: suponhamos que um monarca severo e exigente vos ordene escrever um tratado a respeito de um assunto abstrato, em sua presença, diante de seu trono. Embora possais estar todo entregue a vosso trabalho, a presença do rei, que exerce poderio sobre vós e que tem a vossa vida entre as mãos, não vos deixará esquecer um só instante que pensais, refletis e escreveis não na solidão, mas num local que exige de vós uma atenção e um respeito particulares. Essa consciência da proximidade do rei exprime muito claramente ser possível aplicar-se à oração interior permanente, até mesmo durante um trabalho intelectual. Quanto àqueles que um antigo hábito ou a graça de Deus fez progredirem da oração mental à do coração, esses não interrompem sua oração contínua, durante os exercícios intelectuais mais freqüentes, nem mesmo durante o sono. Conforme nos disse o Grande Sábio: "Eu durmo, mas meu coração vela" (Ct 5,2). Aqueles que alcançaram essa espontaneidade do coração adquirem tal aptidão para invocar o nome divino que a própria oração vela e o espírito é inteiramente levado num fluxo de oração incessante, não importa em que condição ele reze e por abstratas e intelectuais que sejam suas ocupações naquele momento."

Fonte: do livro Relatos de um peregrino russo.
Gratidão
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Meri Pellens
Cristã, mãe e blogueira com necessidades físicas especiais. Aprendiz e amante viciada de xadrez, busco viver cada dia como único, valorizando todos os momentos com olhos fitos no Senhor. Amo trabalhar com blogs e artes digitais.

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