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17 de jul de 2015

A fecundidade da oração frequente

Para glória do Senhor Jesus!


"O padre: Permiti-me, Pai, dizer o que penso. Dai-me a palavra, por poucos minutos. Estava admiravelmente indicado, no texto que nos lestes, que o único meio de alcançar a salvação e a perfeição é a frequência da oração, seja qual for. Não consigo, porém, compreender devidamente o que significa, e eis minha opinião: que utilidade haverá, para mim, invocar o nome de Deus continuamente, apenas com os lábios, mas distraído e sem compreender o que estou falando? Não passa de uma inútil repetição. A língua prolonga sua tagarelice, e a atividade do espírito, assim importunado em sua reflexão ver-se-á desequilibrada. Deus não pede palavras, mas um espírito atento e um coração puro. Não seria preferível oferecer uma oração mesmo curta, pouco frequente, mas pronunciada com atenção, com zelo e ardor, com a compreensão merecida? Da maneira como foi exposta, se bem que a repitamos noite e dia, se não houver pureza de intenção deixa de ser um ato de piedade e nada aproveita para a salvação. Só nos apoiamos num palavreado exterior que nos parecerá fatigante e sem interesse, a ponto de a confiança na oração perder seu ardor, e acabamos por rejeitar esse processo estéril. Aliás, a inutilidade da oração só de lábios resulta do que nos é dito na Sagrada Escritura: "Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim" (Mt 15,8). "Nem todo aquele que me diz 'Senhor, Senhor' entrará no Reino dos Céus" (Mt 7,21). "Prefiro dizer cinco palavras com minha inteligência a dizer dez mil palavras em língua desconhecida" (1 Cor 14,19). Tudo isso mostra a esterilidade da oração, exterior e desatenta, dos lábios.

O monge: Haveria alguma verdade em vosso ponto de vista se, à recomendação de rezar com os lábios, não fosse acrescentada a necessidade de fazê-lo continuamente, e se a invocação do nome de Jesus Cristo não possuísse um poder exclusivo e não obtivesse, por si mesma, a atenção e o zelo, como fruto de seu exercício contínuo. Mas, já que a questão em causa é agora a frequência, a duração e a característica ininterrupta da oração (se bem que no início ela possa ser praticada com distrações ou aridez), as conclusões que apresentais destroem-se por si mesmas. Examinemos o problema de um pouco mais de perto. Um autor espiritual, após ter demonstrado o grande valor e o proveito que resulta da oração frequente expressa numa fórmula invariável, conclui: "Muitas pessoas, tidas como esclarecidas, consideram essa oferenda frequente de uma única e mesma oração como inútil e mesmo fútil; têm-na como uma rotina e ocupação aloucada de ignorantes. Desconhecem o segredo que é revelado por essa prática, aparentemente maquinai; ignoram que o movimento frequente dos lábios torna-se, imperceptivelmente, um apelo sincero do coração, infiltra-se na vida interior, transforma-se em uma alegria, vem a ser, por assim dizer, natural à alma, trazendo-lhe a luz e o alimento, levando-a à união com Deus. Tais censores fazem-me pensar na lógica das crianças às quais se ensina o alfabeto e a leitura. Sentindo-se cansadas, exclamam: "Não seria mil vezes melhor passear ou brincar, em vez de passar o dia todo a repetir esse a, b, c, ou a rabiscar num papel o que nos ensinam?" A utilidade de saber ler e as luzes que daí derivam e que só podiam ser fruto desse esforço de aprender as letras de cor, é-lhes um segredo velado. Assim também, a invocação simples e frequente do nome divino é um segredo encoberto para essas pessoas que não se convencem de seus resultados e do seu muito grande valor. Avaliando o ato de fé segundo a força de sua própria razão míope e inexperiente, esquecem-se de que o homem é feito de um corpo e de uma alma.

Por que motivo, por exemplo, se desejais purificar vossa alma, começais por vos preocupar com o corpo, fazendo jejum, mortificações, privando-vos de alimentos estimulantes? É, sem dúvida, para que ele não possa ser um obstáculo ou, para melhor dizer, a fim de que se torne o meio de favorecer a pureza da alma e o discernimento do espírito, para que a sensação constante de fome corporal faça-vos lembrar de vossa resolução de buscar a perfeição interior e as coisas que agradam a Deus, e que tão facilmente esquecemos. E ficamos sabendo, por experiência, que, através do ato exterior do jejum corporal, realizamos o aprimoramento interior do espírito, a paz do coração, encontramos um instrumento para domar as paixões e um aguilhão do esforço espiritual. Assim, em meio a coisas exteriores e materiais, se recebe ajuda e proveito interior e espiritual.

Deveis compreender que assim acontece com a oração frequente dos lábios: por fim atrai a oração interior do coração e favorece a união do espírito com Deus. É inútil imaginar que os lábios, cansados dessa repetição e dessa árida falta de compreensão, seja obrigada a abandonar inteiramente, como inútil, esse esforço exterior da oração. Não, a experiência prova-nos, aqui, exatamente o contrário. Aqueles que praticaram a oração contínua, contam como isso se processa: a pessoa que decide invocar incessantemente o nome de Jesus ou — o que vem a ser o mesmo — a dizer a Oração de Jesus continuamente, sente a princípio, como é natural, alguma dificuldade e deve lutar contra a preguiça; quanto mais se exercita, mais se familiariza com sua tarefa, imperceptivelmente, a ponto de, por fim, os lábios e a língua adquirirem tal capacidade de se mover que, mesmo sem nenhum esforço de sua parte, fazem-no irresistivelmente e pronunciam a oração sem ruído. Ao mesmo tempo, o mecanismo dos músculos da garganta é de tal forma estimulado que, ao rezar, começa a sentir que a oração é uma de suas propriedades constantes e essenciais; ele mesmo percebe, quando é interrompido, que algo parece faltar-lhe. Acontece, então, que, por sua vez, o espírito começa a ouvir, a atentar para essa ação involuntária dos lábios e, através dela, tem a atenção despertada, o que conduz a uma fonte de delícias para o coração e à oração verdadeira.

Podeis ver, assim, o verdadeiro e benéfico efeito da oração vocal frequente ou contínua, exatamente o oposto do que imaginam as pessoas que não a experimentaram nem a compreenderam. No que concerne às passagens da Sagrada Escritura que evocastes para argumentar vossas objeções, vão-se esclarecer, se as analisarmos atentamente.

A adoração hipócrita a Deus, com os lábios, a ostentação ou falta de sinceridade daquele que exclama "Senhor, Senhor", Jesus Cristo denunciava, porque a fé dos fariseus orgulhosos era da boca para fora, sua consciência não a justificava de modo algum, e eles não a professavam em seu coração. Essas palavras eram dirigidas aos fariseus e se relacionavam com o fato de pronunciar uma oração a propósito da qual Cristo deu instruções diretas, explícitas e precisas. "Os homens deveriam rezar sempre, sem nunca esmorecer". Assim como o Apóstolo Paulo diz que prefere cinco palavras pronunciadas com compreensão a uma multidão de palavras irrefletidas ou num idioma desconhecido, ele se refere ao ensinamento em geral, e não à oração em particular, assunto sobre o qual ele diz categoricamente: "Quero, portanto, que os homens orem em todo lugar" (l Tm 2,8), e o preceito fundamental também é dele: "Orai sem cessar" (l Ts 5,17). Vedes agora como a oração freqüente é fecunda, apesar de toda a sua simplicidade, e que consideração refletida exige a exata compreensão da Escritura?

O peregrino: Como tudo o que dissestes é verdade, meu Pai! Com frequência vi pessoas que, com a maior simplicidade, sem luzes de qualquer espécie de educação, não sabendo sequer o que seja a atenção, oferecem a Oração de Jesus com os lábios e sem interrupção. Vi-as alcançar aquele ponto em que seus lábios e língua não podiam interromper a Oração. Ela lhes proporcionava alegria e luz, e transformava-as de pessoas descuidadas e fracas em ascetas respeitáveis e modelos de virtude."

FONTE: Relatos de um peregrino russo.
Gratidão
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Meri Pellens
Cristã, mãe e blogueira com necessidades físicas especiais. Aprendiz e amante viciada de xadrez, busco viver cada dia como único, valorizando todos os momentos com olhos fitos no Senhor. Amo trabalhar com blogs e artes digitais.

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